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"...há anos, me dei conta que o que você faz com a sua vida é somente metade da equação. A outra metade, a metade mais importante na verdade, é com quem está quando está fazendo isso."

28/08/2009

Como fumar sem ser odiado

 


Sim, você leu certo. Não é um post dando dicas de como parar de fumar. Porque convenhamos, a idéia de parar de fumar é fácil. “Basta” ter força de vontade. Difícil pode ser executar essa idéia, mas isso é outro papo.

Permitido fumar… mas com ressalvas!

A questão é: se você não vai parar de fumar, ao menos pare de ser odiado por isso. Sim! As pessoas lhe odeiam! Elas não dizem, mas lhe odeiam. E você, provavelmente, merece!

Se você acende um cigarro em um ambiente fechado, sem nem procurar um lugar em que incomode menos, você merece ser odiado!

Se você joga bituca de cigarro no chão, você merece ser odiado.

Se você queima alguém com a brasa do cigarro numa balada ou multidão, você merece ser odiado.

Eu te odeio!

Caro fumante, muito provavelmente tudo que você faz e acha normal é motivo pra ser odiado. Merecidamente!

Mas sim, há uma solução para você! Aliás, há duas soluções.

A primeira é óbvia: pare de fumar!

Mas eu sei que você não vai parar só porque eu estou falando, então a outra solução é seguir as regras abaixo.

Regra 1 – Fume longe de mim!

Tá, na verdade a regra 1, em termos menos egocêntricos, seria “Fume longe dos não fumantes“.

Quem não fuma odeia cheiro de cigarro. Aliás, mesmo quem fuma muitas vezes odeia o cheiro do cigarro dos outros.

Mas a questão não é só a de não gostar do cheiro.

Não podemos esquecer que o fumante passivo pode ser vítima de muitos dos malefícios do cigarro sem nem fumar.

“Mas eu sou diretor, sou fodão, uso gravata. Eu posso“.

Tá bom. Você já é odiado o suficiente por ser chefe. Se você ainda acender um cigarro, fazendo uma pose que mostre bem a sua gravata fedendo a cigarro, a rádio peão vai passar a falar (mais) mal de você.

Imagine. O povo trabalhando e você impregna o ar com seu cigarro?

Quer saber, eu já te odeio também! Aliás, o grande mal de muitos chefes é achar que o cargo lhes dá permissão para faltar com o respeito. Mas ao contrário, quanto mais atitudes positivas um chefe tiver, mais a chance de ser respeitado pelos funcionários. E quanto mais respeitado, mais obedecido. Que tal começar a mudança pelo cigarro?

Algumas empresas possuem áreas conhecidas como fumódromos.

Vá fumar lá. Se em sua empresa não existe, proponha a criação de uma área dessas. Fale dos benefícios de se fazer uma pausa no trabalho, ao mesmo tempo em que não tem que sair da empresa pra fumar. Cite o quanto você se importa com os outros. Talvez você não ganhe tantos pontos quanto ganharia se parasse de fumar. Mas vai deixar de ser tão odiado por conta disso.

Procure também fumar ao ar livre. E se estiver em um grupo, resista à vontade de fumar ali, se o grupo não for de fumantes também. Se a necessidade de ceder ao vício for mais forte que você (fracote!), fique a alguns passos de distância do grupo. E sopre sempre a fumaça pro outro lado.

Você fuma longe da gente e nós agradecemos!

Nunca, mas nunca mesmo, fume dentro de veículos, exceto se o veículo for seu.

Nesse caso você faz o que você quiser. Mas se der carona pra alguém, o ingrato vai lhe odiar! Não que caroneiro possa reclamar. Mas vai lhe odiar secretamente, naquele momento.

Você sabe que é um perfeito seguidor da regra 1 quando as pessoas no máximo suspeitam que você é fumante, mas sem nunca tê-lo visto fumar.

Regra 2 – Não jogue bituca de cigarro no chão

Essa é a mais difícil, mas não devia ser. 99,9% dos fumantes não a seguem. E ainda perguntam: “e o que você quer que eu faça, fique carregando a bituca de cigarro até achar onde jogá-la?”

A resposta é: Isso é problema seu! Sério.

Você fuma, eu como demais, fulano bebe. Ninguém tem nada com a vida de ninguém. Mas todo mundo precisa assumir as consequências e as responsabilidades de seus atos.

Jogue a bituca no lugar certo, mané!

Bituca de cigarro entope bueiros, polui praias e fica anos na natureza até ser decomposta. Imagine quantas bitucas de cigarro são jogadas na rua todos os dias. Junto com outros lixos, a bituca que você jogou ajudou a causar aquela inundação naquela rua depois daquela chuva. Sim, aquela vez que você botou a culpa exclusivamente na prefeitura da sua cidade. Ou em São Pedro.

E qual o porco que jogaria uma bituca de cigarro no chão da própria casa? Você não faz isso porque a casa é sua, certo? Mas a rua também é sua!

Bitucas podem ser recicladas, num método criado pela UnB. Então o que você tem que fazer é jogar lixo no lixo, como sempre. Sim, você provavelmente vai ter que andar com a bituca apagada na mão até achar a lixeira mais próxima. Mas é sua obrigação como cidadão fumante.

Ah, sim. Por favor, apague a bituca antes de jogar no lixo. Você não quer causar um incêndio, certo?

Se quiser mais sugestões (um pouco mais diretas que as minhas, se é que você me entende) de como fazer para fumar sem ser mal-educado, leia “É a má educação que leva ao tabagismo ou o tabagismo que causa má educação?”

Regra 3 – Cuidado com seu cigarro

Agora você é um fumante consciente, que não joga bitucas no chão e evita fumar onde for incomodar outras pessoas. Parabéns!

Mas há lugares em que é meio que ‘liberado’ o uso do cigarro. Baladas, por exemplo. Não é uma coisa muito legal, você sai pra dançar e volta fedendo. Mesmo nesses lugares seria legal se existisse um canto pro povo ir fumar. Mas enfim, se você vai fumar numa boate, cuide pra não queimar ninguém. Você pode acabar queimando também o seu filme.

Proteja o seu cigarro com a mão. Faça uma concha voltada pra você, e o cigarro no meio dessa concha. Problema resolvido. Bom, cuidado para não se queimar também, é claro. Mas ao menos desse jeito o prejudicado é você, que ao mesmo tempo é o culpado.

Regra 4 – Cuidado com os maus cheiros

Se você fuma, suas chances com uma pessoa não fumante são reduzidas drasticamente. A ideia de beijar um cinzeiro não é agradável. Aliás, até suas chances com uma pessoa fumante caem. Mas não é só com o mau-hálito que você deve se preocupar.

Há produtos para desodorizar ambientes que têm ação contra o cheiro do cigarro. Use no seu quarto, em sua casa. Há também produtos específicos para seu carro e até para suas roupas!

É! Não esqueça das suas roupas. Tem gente que, antes de uma longa viagem, fuma dentro de algum cubículo, como um banheiro, na tentativa de saciar seu desejo por nicotina e suportar um longo tempo sem fumar. Mas coitado de quem fica do lado dessa pessoa na viagem!

“Sua roupa tá fedendo”!

Tome cuidado com os odores que o cigarro deixa em você. Se possível, lave a mão depois de fumar. Procure ambientes mais abertos (regra 1). Procure novas formas de manter sua roupa cheirosa (ou pelo menos não-fedida).

Você nem sente, mas a pessoa do seu lado lhe odeia por causa do seu cheiro de cinzeiro...

Siga essas recomendações e você atingirá o objetivo de fumar sem ser odiado. Mas ainda estará sujeito a câncer de pulmão.

Sou anti tabagista confessa


29 de agosto Dia do Combate ao Fumo. Uma campanha ainda discreta. Afinal o grupo de não-fumantes ou seria de fumantes passivos há muito tempo se acostumou a deixar que a fumaça alheia envenene os seus pulmões sem nada dizer. Atitude compreensível já que qualquer manifestação de desagrado deste grupo em relação ao grupo fumador é severamente castigada com um olhar de desprezo que habitualmente se reserva para os grupos radicais e fanáticos. Sim, porque quem fuma acredita que a má educação não é fumar junto de quem optou por não fumar. Má educação é não querer que os outros exerçam o seu direito de fumar perto de você (parece incoerente mas é assim que as coisas são). =(


Sou antitabagista confessa. Não odeio quem fuma. Tenho parentes e amigos que fumam e obviamente o cigarro não mensura o caráter de ninguém e não diminui o respeito que estes merecem. Só não gosto que fumem perto de mim. Tenho meio que uma aversão sobrenatural ao fumo. E sempre que adoeço vou eliminando possíveis causas; e, depois paranoia: sempre acabo acreditando que ser fumante passiva está me matando.

As grande maioria dos tabagistas perderam o senso crítico e fumam perto de quem não fuma, especialmente em lugar fechado e não estão nem aí se incomoda ou não. Tipo eu os incomodados que se retirem. Em outras palavras, como se fosse pouco um fumante cometer suicídio a crediário, existe também a questão do fumante passivo, ou seja, aquele que escolheu não fumar pode morrer pelo mal do cigarro fumado por quem está do seu lado.

Neste contexto, surge a Lei Antifumo que proibi fumar em recintos fechados e de uso público. A lei é lamentável sim. Mas é lamentável porque um assunto tão sério teve que virar lei para o fumante ligar o desconfiômetro e concluir que alimentar o seu vício perto de alguém, lhe causa um mal igual ou maior que a si próprio. A lei se faz necessária muito embora ela não produza efeito nos lares onde filhos, maridos ou esposas estão expostos continuamente praticamente submetidos à uma morte lenta e compulsória. No local de trabalho então, é uma tortura.

Bom, e se os chiliques pela aplicação da lei ainda persistirem, vale lembrar que o fumante passivo é considerado hoje a 3ª maior causa de morte evitável no mundo segundo o INCA. Morte evitável se ninguém fumar por perto, claro.


27/08/2009

Agenda da Beth

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos,
que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos,
de grandes chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer,
para contar o que se viu de belo e triste durante o dia,
dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água
e de caminhos molhados, de beira de estrada,
de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver,
não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado
em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando,
mas que nos chame de amigo,
para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinícius de Moraes

06/08/2009

Ando devagar...



Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso, porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs,
é preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir,
é preciso a chuva para florir.
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha, e ir tocando em frente
como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
de estrada eu sou
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz
Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz.

Almir Sater